quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Meu Aniversário!


4 de dezembro de 2019
36 anos depois que eu nasci, eu to aqui, desse jeito que vcs tao vendo hoje.
ja tive todas as cores de cabelo que tinha no catalogo de cores
ja cantei e compus todos os estilos de musica que consegui
ja perdi as contas do quanto me apaixonei e tive que me desapaixonar
eu sou mae. o sonho de uma vida inteira, realizado. meu milagre tem 6 anos e eu escolhi o nome dela quando eu tinha 10 anos. Alana.

minha historia de vida não é sofrida, não é comovente. não é uma historia incrível de superação.
mas nesses anos todo de existência aqui nesse plano, eu passei por vários momentos em que eu tinha certeza de que eu não ia segurar.
inúmeras vezes eu quis não acordar no dia seguinte. dormir pra sempre, como eu dizia.
fui abusada emocionalmente porque eu deixei. porque ue me coloquei em um patamar de coitada e justificava que era por amor.

tive ajuda da minha família que por muitas vezes reclamava que eu dormia até tarde, sem saber que eu tinha ido dormir as 5 da manhã produzindo os trabalhos que raramente me rendiam alguma coisa financeiramente.

tentei trabalhar na empresa bem sucedida da família, e no primeiro dia, com 15 anos, fugi de casa. era uma palhinha do que seria dali pra frente: eu JAMAIS me acostumaria com um escritório, trancada fazendo conferência de extratos em horário comercial.

mas eu cresci e me sujeitei a isso algumas vezes. mesmo sendo completamente infeliz quando fazia isso, eu, nessa época tinha um propósito maior.

antes disso, trabalhando no shopping por exemplo. sem vida social fora do shopping. trabalhando de sol a sol num negocio de tiro de lasers.

eu não tive rumo por muito tempo. passei muito tempo da minha vida querendo se ruma popstar. uma cantora mundialmente reconhecida, compondo musicas pra todos os artistas da mídia.
conheci pessoas incríveis nessa caminhada. tive bandas e mais bandas. alias as minhas bandas foram meus relacionamentos mais duradouros.

as pessoas mais próximas de mim detestava a ideia de banda. musica é coisa de vagabundo né?
e eu tentei ser webdesigner, fotografa, maquiadora, programadora, recreadora infantil, garçonete, professora..
tudo pra que eu pudesse justificar quando eu acordava as 3h da tarde.
mas não justificava. se eu acordava com o telefone a essa hora, oc omentairo era sempre o mesmo: “nossa, vc tava dormindo?”

é, eu tava dormindo.
eu nunca me encaixei nas caixas de estudar, fazer faculdade, arrumar um bom emprego.
eu sempre fui diferente.
nunca tive problemas de relacionamento na escola ou onde quer que fosse, mas eu era diferente.
adaptável, gostava de tudo, mas quanto mais diferente, melhor.
tive minha fase do rosa. tudo era rosa. tinha que ser.
a fase passou. me assumi colorida quando eu percebi que eu não tinha mais que provar que eu tinha crescido. afinal, quem se assume um unicórnio com 15 anos?
não assume. com 15 vc quer parecer grande. você quer provar que merece respeito. provar pro menininho que você é madura.
eu não era. tanto que não consegui provar pra ele. com 16 achei que tava na hora de me desfazer da minha coleção de coisas da barbie.
eu doei o trailer da barbie. a piscina. a loja. o lar escritório… nossa eu gostava tanto de tudo isso!
mas o menininho disse que eu era muito criança.
e eu era.
e eu não queria mais ser. afinal.. 16 anos!
as barbies felizmente eu guardo até hoje, porque a paixão por elas foi mais forte do que a desilusão amorosa de um cara que eu nunca mais ouvi falar na vida.

eu nunca me encaixei nas caixas que a sociedade impõe que a gente se encaixe.
eu era artista. eu sempre tive alma de artista e não era respeitada por isso.
até que eu, empreendedora como sempre fui, criei minha loja virtual. e de repente, eu podia acordar as 15h porque ja fazia meses que eu não pedia ajuda de ninguém pra pagar alguma coisa que eu queria.
e eu comecei a pagar minhas contas.
eu pagava de verdade minhas contas! sozinha!
eu tinha uns 23 anos quando isso aconteceu. e pensar que tudo começou quando eu importei um cabo midi da china, porque no brasil era mais de 100 reais e eu jamais teria esse dinheiro ou coragem pra pedir pra alguém um cabo que custava mais de 100 reais.
o cabo ligava o teclado musical no computador e eu podia controlar os sons do computador pelo teclado.

E aí começava minha loja. Meu negocio que me manteria pelos próximos 10 anos. E me manteria bem.
eu almejava ainda e sempre ser uma popstar famosa, E agora trabalhava com produção musical.
Sem saber tocar quase nada direito, produzi musicas e mais musicas que ficavam horríveis pra quem entende de musica, mas ainda hoje, eu tenho um orgulho gigante.
Eu nunca soube tocar da verdade. Sabia muito pouco. O que meus ouvidos conseguiam reconhecer e reproduzir.
Foi o suficiente pra produzir um cd inteiro de uma cliente, depois que ela ouviu as musicas que eu tinha produzido para minha dupla e pra amigas.
Eu escrevia as musicas, fazia o arranjo, gravava as vozes e o hacking. Facia o site, a maquiagem e as fotos. Fazia o clipe. Botava tudo no ar.
Sempre fui multiuso. Sempre fiz um pouco de tudo. E sempre tive muito orgulho disso.

Lá atrás eu não tinha outro objetivo alem de ser uma cantora e uma compositora famosa. Viver de composição. Eu cheguei a abrir mao do desejo de cantar, pra só compor. Nunca soube medir o tamanho do amor que eu tinha, pra poder escolher. Qualquer um tava valendo… e ser compositora parecia mais palpável.

Mas a vida me levou pra outros rumos. Eu comecei a ser respeitada pela minha família que não fazia mais piadinhas de “é, vc tem que fazer alguma coisa da vida né”… como e eu não tivesse fazendo nada.
Eu fazia, mas se não dá dinheiro, não serve pra sociedade.
E é verdade. Eu sempre sonhei em ter muito muito muito dinheiro. Muito. Muuuuito.
Dinheiro nunca foi tabu pra mim. Nunca me senti mal porque queria ter dinheiro. Talvez isso tenha me motivado desde cedo a ser a empreendedora que eu sou.

Ver hoje as pessoas com a mentalidade tao pequena sobre dinheiro, cheias de tabus. Não falando sobre dinheiro. Não almejando dinheiro por medo… isso tudo acabou virando mais uma motivação.
Sem querer, meu canal, que fazia por lazer, acabou virando uma referência em espiritualidade.
Sem querer, junto com tudo isso, fui crescendo na minha profissão, até conseguir de verdade viver só de dublagem.

Mas o mais legal, é que eu não vivo só de dublagem, porque eu ainda faço mil coisas. E eu AMO tudo que eu faço.
Eu sou minha propria executiva. Mulher de negócios. Ainda trabalho em horror comercial. E não comercial. E as vezes as 2 da manhã, depois as 7 da manha e depois durmo as 15h. 
Na verdade hoje tanto faz. Eu não tenho mais que me justificar pra pessoas, e essa é a maior vitoria que um ser humano pode ter: dar conta de si.
Eu levei muito tempo, mas hoje, e ja ha alguns anos, eu posso dizer que eu sou feliz.

Eu vivo como eu quero. Eu compro o que eu quero. Eu vou onde eu quero e quando eu quero. Posso levar minha filha onde ela quiser, quantas vezes ela quiser. E tenho que tomar cuidado pra não mimar demais, porque a ideia é que e;a de valor a tudo isso. 
Mas não com o sofrimento que eu tive, pra dar valor.
De quando eu era pequena e morava com a minha avó, que eu amo muito, mas que tínhamos vários estresses. Minha mae tinha que trabalhar e eu não queria ficar com a minha vó. Final de semana podia ser… mas morar com ela me machucava tanto,q ue té hoje domingo de tarde me dá o maior bode. Principalmente se tá passando esses programas na tv, de domingo. Era hora da minha mae me levar de volta pra casa da minha avó.
Eu chorava toda vez que via a telesena e não tinha ganhado. Significava mais um mês sem morar com a minha mae.
Eu quis TANTO ser rica. 
E na verdade, não se tratava de ser rica. Se tratava de ter o básico pra que sei la, minha mae pudesse pagar alguém pra me olhar enquanto ela tivesse no serviço.
Mas o desejo crescia em mim, cada vez por um motivo diferente. Cada época por um motivo diferente.
Eu sempre quis muito. Até porque eu sempre quis ajudar muito, e sempre tive na cabeça que com muito, eu posso ajudar muito.

Eu tive duvidas por momentos se algum dia eu chegaria a algum lugar. Eu nunca soube ao certo onde eu queria chegar, senao pelo fato de que sabia que queria ganhar todo esse dinheiro que eu citei. Nunca me imaginei com orgulho de mim. Feliz comigo mesma.

Enfim. Eu  to com 36 anos. Sou uma mulher realizada hoje. Respeitada por tudo que criei, que conquistei, que produzi. Ainda tenho infinitos planos e sonhos, mas hoje nada parece incansável pra mim. Não que em algum momento eu tenha duvidado de que ue ia chegar, mas eu fraquejei muito, e muitas vezes pareceu tudo longe demais.
Hoje tudo ta perto e é questoa de tempo.
Meu trabalho ta sendo feito. Todos eles estão. E com muita dedicação e vontade de me superar. Sempre fazendo o melhor que eu posso.

Eu tive vontade de escrever tudo isso hoje, porque sei como as pessoas têm se espelhado em mim nesses últimos anos. Sao mais de 60 mil pessoas inscritas no meu canal de espiritualidade hoje.
Pessoas que se identificam de alguma forma com a minha historia e com o que eu tenho humildemente pra ensinar.
Experiências minhas. Minha forma de ver. E que sem querer, acabou conquistando toda essa galera.

Não importa de onde vc ta começando ou recomeçando. Não importa quanto tempo passou. Não importa se você é novo, se você é velho. TEM JEITO. Dá pra ser. Seja com magia, seja sem magia. 
Magia ajuda sim, mas não tem magia sem trabalho duro. 
Não desiste. Não se entrega. AINDA DÁ TEMPO de fazer a tua historia que você vai contar com orgulho depois.
Você pode também, ta entendendo?

Ah sim, e sobre isso.. hoje eu não quero mais ser uma popstar. Hoje eu descobri uma nova motivação: ajudar pessoas.
Abrir seus olhos. Mostrar que existem N outras verdades e que só cabe a você - SÓ VOCÊ - escolher qual faz mais sentido pra você. 
Fazer essas verdades te impulsionarem. Te tirar da depressão. Te motivar. Te levantar. TE DAR UM MOTIVO. UM PROPOSITO.
Eu descobri meu verdadeiro propósito depois dos 30. E isso preencheu o resto que faltava preencher no meu coração.
Minha musica é feita pra mim, pra quem gosta de mim. Não faço mais musica pra conquistar as pessoas. Elas ouvem minha musica pq ja foram conquistadas.
O trabalho ue eu faço hoje é muito maior do que eu jamais fiz com musica. E hoje eu posso unir tudo. Juntar tudo.
Posso cantar, posso fazer meditações guiadas, posso falar de espiritualidade e te ensinar magia.
Posso ser mae. Posso amar livremente. Posso dormir a hora que eu quiser e acordar a hora que eu quiser. (Mentira. Minha filha entra todos os dias as 7:30 da manha, então não da mão pra fugir… kkk)
Mas enfim.
Eu sou feliz hoje. Estou grata demais com esse 1 ano a menos.
Mesmo tendo dificuldades. Mesmo tendo minhas questões de sempre. Eu sou grata. Eu escrevi um livro. Eu lancei um cd. Eu fiz 100 mil inscritos. EU tenho mais de 10 milhões de visualizações.

E pra terminar, deixo uma frase de uma das minhas musicas de cabeceiras que dizem muito sobre esse momento:

“…As pessoas se convencem de que a sorte me ajudou
mas plantei cada semente que o meu coração desejou…”

Feliz aniversario pra mim. Feliz novo ano, novos negócios, novos personagens, novas musicas, novos videos, novos milhões, novos amigos, novos amores. Feliz aniversario pra pessoa que entendeu enfim que tem orgulho de ser que é e que se acha totalmente incrível: eu.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Empoderamento feminino?

Minha amiga Cacá hoje me marcou nessa publicação.
Percebi que não faço definitivamente parte do movimento das mulheres empoderadas apesar de ser totalmente uma.
No mundo de hoje se prega que a gente pode fazer o que a gente quiser, e a gente pode mesmo.
A gente sempre pôde. A diferença que hoje a gente sabe disso.
Só que muita coisa tem se perdido no tempo por conta de tanto empoderamento.
Num bate-papo esses dias com uma amiga ela estava me contando sobre o feitio do Daime.
Falou que as mulheres têm uma função e os homens têm outra e que a função dos homens é muito mais árdua do que a das mulheres.
Isso acontece porque fisicamente existem diferenças.
Nada me impede de fazer trabalhos braçais, como nada impede homens de fazer trabalhos mais sutis. Mas eu quero isso?
Eu não vou deixar de ser feminina se eu trocar o chuveiro que queimou. E meu marido não vai deixar de ser masculino por que limpou a casa e cozinhou para mim.
Mas as coisas estão no nível em que as pessoas acham sem noção um homem oferecer ajuda a uma mulher.
É claro que eu consigo carregar essa caixa pesada. Mas é claro também que eu posso aceitar a gentileza de uma pessoa que se oferece pra carregar pra mim.
O homem caça e a mulher fica em casa cuidando da cria, né?. Isso é desde o tempo das cavernas. E já passou muuuuito tempo desde as cavernas.
Hoje somos livres para ir à caça se quisermos mas não necessariamente somos livres se quisermos ficar em casa cuidando da cria.
O movimento de empoderamento tem obrigado a gente a GOSTAR de matar o dragão e tirar o vestido cafona.
Eu não acho o vestido cafona. E eu posso, mas eu não quero matar dragões.
Não quero bater palma para memes como esses que te fazem acreditar que se você gosta de ser a princesa que é salva, você tá errada.
Eu estou sim no meu castelo esperando para ser salva. Por escolha.
Enquanto isso no meu castelo eu troco lâmpadas, conserto a porta do armário, furo a parede para colocar quadros, reformo os móveis e dou conta de tudo isso com o meu dinheiro.
Não porque eu gosto. Mas por que eu posso fazer. E faço.
E se alguém chega na minha vida para não somar nas coisas que eu não gosto de fazer - porque eu realmente sou a princesa -  então para mim não serve.
Para mim, mesmo nesse mundo de hoje de tanto empoderamento feminino, ser feminina ainda é deixar ele abrir o pote de azeitona mesmo sabendo o truque da colher e que de fato eu nunca precisaria dele pra isso.
Eu sou a princesa e gosto de ser assim. Empoderamento nenhum vai me tirar a satisfação que tenho quando presencio um ato de cavalheirismo.
Talvez esse empoderamento seja realmente benéfico quando ele empoderar PESSOAS, e não especificamente mulheres.
As pessoas precisam entender que elas podem ser e fazer o que elas quiserem sem depender das outras. Mas que elas podem se deixar depender se elas quiserem também.

Pracy